NOTA DE REPÚDIO ÀS FALAS DA COORDENADORA PEDAGÓGICA DA SMED

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública Municipal de Gravataí (SPMG) manifesta seu veemente repúdio às falas da Coordenadora Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (SMED), proferidas durante a formação das professoras e professores de Matemática, realizada no turno da tarde do dia 18 de junho de 2026. As manifestações relatadas extrapolam os limites do debate pedagógico e representam um grave desrespeito às trabalhadoras e aos trabalhadores em educação, comprometendo o ambiente democrático que deve orientar os espaços de formação continuada e a relação institucional entre a Secretaria Municipal de Educação e os docentes da rede municipal.

 

Conforme relatos encaminhados ao SPMG por professoras e professores presentes, durante o momento destinado ao diálogo com os participantes, uma docente questionou qual seria a avaliação da Coordenadora Pedagógica sobre os baixos índices educacionais do município. Em resposta ao questionamento, a Coordenadora Pedagógica afirmou que “não falaria o que realmente pensa para não perder seu réu primário”. Na sequência, declarou que os resultados da educação estariam nessa situação porque muitos professores ministravam aulas “como se estivessem fazendo um bico”, e não com o comprometimento que a profissão exige. Ao encerrar sua manifestação, dirigiu-se aos docentes com a expressão “vocês são excelentes professores”, em aparente tom de ironia.

 

Segundo os relatos recebidos pelo SPMG, tais manifestações foram percebidas pelos participantes como ofensivas, constrangedoras e incompatíveis com um ambiente institucional de formação continuada. Diversos servidores relataram terem se sentido desrespeitados, desvalorizados e moralmente atingidos diante da forma como as trabalhadoras e os trabalhadores em educação foram tratados, sentimento também compartilhado por inúmeras professoras e professores da rede municipal.

 

É inadmissível que uma Coordenadora Pedagógica, representando oficialmente a Secretaria Municipal de Educação, utilize ironias, generalizações ou manifestações depreciativas para se dirigir às trabalhadoras e aos trabalhadores em educação durante um espaço institucional de formação. Espera-se que aqueles que exercem funções de liderança pedagógica atuem como mediadores do diálogo, promovendo a escuta qualificada, o respeito às diferentes opiniões, a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação e a construção coletiva do conhecimento.

 

Especialmente preocupante é a afirmação de que professoras e professores estariam exercendo a docência “como se estivessem fazendo um bico”. Tal manifestação desqualifica o trabalho de uma categoria que, diariamente, assegura o direito à educação pública com responsabilidade, competência e compromisso. Em um cenário marcado pela sobrecarga de atribuições, pela insuficiência de recursos, pela ampliação constante das demandas educacionais e pela histórica desvalorização do magistério, esses profissionais seguem comprometidos com a aprendizagem, a inclusão e a formação integral dos estudantes, superando diariamente desafios que extrapolam suas atribuições e suas possibilidades de atuação. Muitas vezes, desempenham suas funções sem o suporte pedagógico, estrutural, técnico e intersetorial necessário para atender à complexidade das demandas apresentadas pelas escolas e pelas comunidades em que atuam.

 

Cabe destacar que a imensa maioria das professoras e dos professoras mantém um compromisso permanente com sua formação profissional. São trabalhadoras e trabalhadores em educação que estudam continuamente, participam de cursos de aperfeiçoamento, especializações, pesquisas e formações continuadas para responder às novas demandas educacionais, sociais e tecnológicas que surgem a cada ano. Esse esforço permanente evidencia o compromisso da categoria com a qualidade da educação pública e desmente qualquer narrativa que coloque em dúvida sua dedicação e responsabilidade profissional.

 

Da mesma forma, atribuir os baixos indicadores educacionais exclusivamente aos professores e professoras representa uma análise reducionista. A qualidade da educação é resultado de um conjunto de políticas públicas articuladas que envolvem, além da escola, áreas como saúde, assistência social, cultura, segurança alimentar, inclusão, proteção social e valorização profissional. As condições de aprendizagem são construídas antes, durante e para além do espaço escolar, dependendo da atuação articulada do Estado, das famílias e da sociedade. Desconsiderar essa complexidade significa ignorar a realidade enfrentada diariamente pelas escolas e pelas trabalhadoras e trabalhadores em educação, responsabilizando injustamente aqueles que, mesmo diante das adversidades, permanecem comprometidos com a garantia do direito à educação pública de qualidade.

 

A postura relatada é incompatível com a função exercida por quem representa a Secretaria Municipal de Educação em espaços de formação continuada. Espera-se que esses momentos sejam pautados pelo diálogo, pela escuta qualificada, pelo respeito às diferentes opiniões e pela valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação. Manifestações que desqualificam ou constrangem os profissionais fragilizam a relação de confiança entre a Secretaria Municipal de Educação e a categoria, comprometem o ambiente formativo e desvirtuam a finalidade desses espaços, que devem promover a reflexão crítica, a construção coletiva do conhecimento e o fortalecimento das práticas pedagógicas.

 

Diante da gravidade dos fatos relatados, o SPMG informa que protocolou ofício junto ao Prefeito Municipal requerendo a imediata apuração dos fatos e a adoção das medidas administrativas cabíveis. O SPMG espera que a Administração Municipal responda à altura da responsabilidade que lhe compete, assegurando uma apuração séria, célere e transparente, bem como a adoção das providências que o caso requer. O Sindicato acompanhará rigorosamente o andamento deste caso para que nenhuma conduta incompatível com o respeito às trabalhadoras e aos trabalhadores em educação permaneça sem a devida resposta institucional.

 

O SPMG reafirma seu compromisso inegociável com a defesa da honra, da dignidade, da valorização e das condições de trabalho das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação da rede pública municipal. Permaneceremos vigilantes e adotaremos todas as medidas administrativas e jurídicas cabíveis para assegurar o respeito aos direitos da categoria e a preservação de um ambiente de trabalho pautado na ética, na urbanidade, no diálogo e no respeito mútuo. Fiel à sua história de defesa da categoria, o SPMG permanecerá firme no enfrentamento de toda forma de autoritarismo, de assédio moral e de práticas que intimidem, constranjam ou busquem silenciar os trabalhadores e trabalhadoras em educação. A defesa da democracia, do diálogo institucional, da liberdade de expressão, da pluralidade de ideias e do respeito às diferentes visões e opiniões constitui um compromisso permanente desta entidade sindical, que não admitirá retrocessos na garantia de um ambiente de trabalho pautado pelo respeito, pela valorização profissional e pelos direitos da categoria.

 

Respeitar as trabalhadoras e os trabalhadores em educação é respeitar a educação pública. Não haverá uma escola pública democrática, inclusiva e socialmente referenciada enquanto aqueles que a constroem diariamente forem tratados com desrespeito ou tiverem sua dedicação colocada em dúvida. Valorizar o magistério significa reconhecer que a qualidade da educação depende de profissionais respeitados, de condições dignas de trabalho, de investimento permanente em políticas públicas e do compromisso coletivo com a aprendizagem, a inclusão e a justiça social.